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Vale do Reno: o maior tráfego fluvial do continente europeu

Antônio Júnior (*)

O rio Reno (Rhein em alemão e Rhin” em francês) nasce no Cantão de Grisões, Alpes suíços, e deságua no Mar do Norte, após formar um delta com seu último afluente, o Mosa, nas proximidades de Roterdã/ Holanda. São 1233 quilômetros de extensão banhando seis países: Suíça, Áustria, Liechtenstein, França, Alemanha e Holanda. Nele singra o maior tráfego fluvial do continente europeu, margeado por importantes cidades como Basiléia (Suíça), Estraburgo (França), Bonn e Colônia (Alemanha), interligado por canais a outros cursos similares, como Danúbio, Sena e Elba. Sua largura, de 45 metros em território suíço (Reichenu) a 500 em Colônia, próximo à fronteira holandesa.

RECUPERAÇÃO DO RENO CUSTOU 15 BILHÕES DE DÓLARES

Apesar do deslumbrante cenário hidrográfico, o Reno nem sempre foi o rio limpo que conhecemos de uns tempos para cá, tido, notadamente entre as décadas de 1960 e 1970, como “esgoto da Europa”, face a seus insuportáveis níveis de degradação ambiental. Sem muito esforço, quem chegasse às suas margens, naquela época, logo descobriria o motivo da pejorativa referência, debitada a suas águas extremamente sujas e fétidas.

A situação caótica decorreu, em particular no século passado, dos dejetos jogados diretamente no rio por empresas químicas de grande porte, entre as quais Sandoz, Ciba e Basf. Ao longo dos mais de 1,2 mil quilômetros do Reno, dezenas de complexos industriais foram instalados em suas margens, sem observância de normas elementares destinadas a minimizar previsíveis efeitos de impactos ambientais. Entretanto, a gota d’água, que acirrou decisiva pressão social para a despoluição ser levada a sério, foi o gravíssimo acidente provocado pela multinacional suíça Sandoz, em 1986, responsável pelo despejo de 30 toneladas de pesticidas no rio, àquela altura já com sobrevida terminal.

Investimentos na ordem de 15 bilhões de dólares foram realizados pelos países ribeirinhos, com participação de grupos privados, a partir de 1989, através da construção de estações de tratamento e um programa de monitoramento das águas, da nascente até a foz do Reno, além de ações governamentais destinadas à conscientização ambiental das indústrias químicas, fundamental para a plena recuperação do rio. 

Passados 20 anos de intenso trabalho de despoluição, o Reno é considerado oficialmente limpo, com o retorno o de mais de 60 de espécies de peixes tidas como extintas, de um total de 350 hoje lá cadastradas, entre as quais expressiva variedade de salmões. Com efeito, a quase-totalidade de esgotos despejados no rio é tratada, processo considerado como um dos maiores sucessos de recuperação ecológica da Europa.

Vale do rio Reno
Vale do rio Reno

ECONOMIA DO VALE RENO

Entre a suíça Basiléia e seu estuário holandês, o Reno atravessa uma das regiões mais densamente povoadas da Europa ocidental, de rico histórico mercantil e fabril, desaguando em Roterdã, o mais importante centro portuário europeu.

O Vale do Reno, também foi berço da Revolução Industrial (região de Ruhr, no século 19), dadas as reservas de recursos minerais imprescindíveis ao desenvolvimento da industrialização.

A partir da convenção de Mannheim, em 1868, o Reno é considerado um curso de ‘águas internacionais’, no trecho compreendido entre a última ponte da Basiléia e sua foz no Mar do Norte, assegurando à Suíça livre acesso à cabotagem oceânica. Com sede em Estrasburgo (França), a Comissão Central pela Navegação do Reno, fundada em 1815, no Congresso de Viena, é a mais antiga organização internacional.

Em 2000, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) inscreveu os 65 quilômetros do Vale Médio do Reno na lista do PATRIMÔNIO MUNDIAL, aí incluído o rochedo, em território alemão, onde foi erigido monumento à sereia Lorelei, da mitologia germânica.

PASSEIO PELO RENO

Na Alemanha, onde o Reno emoldura cenários deslumbrantes, o passeio fluvial é imperdível e um dos mais procurados roteiros vai de Boppard a Ehrenfels. No trajeto, castelos multisseculares de deixarem boquiaberto o mais experiente turista. Em média, a excursão dura quatro horas na ida, com o barco mantido em baixa velocidade para que todos possam observar(e documentar) inesquecíveis detalhes da aprazível região. O retorno, para dar vazão a nova leva de visitantes, é feito em apenas uma hora. É intenso o fluxo turístico, a partir de Rudsheim, de onde os barcos partem lotados. Um passeio, sem dúvida, espetacular.

Passeio de barco pelo Reno
Passeio de barco pelo Reno

CULTURA

O compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) compôs sua sinfonia número 3 sob o título de “Renish”ou “Renana”, em que evoca memórias do rio Reno, bem como a influência de suas paisagens e lendas na alma dos românticos alemães. 

Já o escritor francês Victor Hugo (autor do célebre ‘Os Miseráveis’) assim se expressou em ‘Le Rhin’, de 1842: “Toda a história da Europa (...) está resumida nesse rio de guerreiros e de pensadores,nesta onda imensa que sacode a França, neste murmúrio profundo que faz sonhar a Alemanha. O Reno reúne tudo”.

HISTÓRIA

O mais emblemático registro histórico do Vale do Reno ocorreu no ano 9 a.C., quando tropas romanas foram aniquiladas pelos bárbaros Queruscos, na Floresta de Teutoburgo, com perda de 20 mil soldados, obrigando o imperador Augusto César a recuar quanto aos objetivos expansionistas do Império de Roma rumo à Germânia, atual Alemanha.

Em 1806, Napoleão Bonaparte, imperador da França, conquistou a Renânia, estabelecendo a ‘Confederação do Reno’.

Em 1919, finda a 1ª Guerra Mundial, foi formalizada no ‘Tratado de Versalhes’ a desmilitarização da Renânia, na área compreendida entre o rio Reno e a fronteira da França.

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Créditos:
Matéria de Antônio Júnior com exclusividade para o site Alma Carioca
* Antônio Júnior, jornalista, é nosso correspondente na Europa.


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