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H I S T
Ó R I A S D A B O S S A N O V A
Sóstenes
Pernambuco Pires Barros |
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O
que é 'Bossa'? Porque 'Bossa Nova'?
Onde, quando e como tudo começou?
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A palavra 'bossa' era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos
cinqüenta , significava 'jeito', 'maneira', 'modo'. Quando
alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e
simples, dizia-se que esse alguém tinha 'bossa'. Se o
Ricardo desenhava bem, dizia-se que tinha 'bossa de arquiteto'. Se o
Paulo escrevia, redigia bem, tinha 'bossa de jornalista'. E a expressão 'Bossa
Nova' surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava
superado, velho, arcaico, antigo. Sim, mas o quê era julgado superado e
velho, na música popular brasileira? 'Tudo', dizia a mocidade
bronzeada de Copacabana.
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A tristeza e melancolia das letras, a repetição
dos ritmos 'abolerados' e dos 'sambas-canção'; era tudo a mesma coisa, não obstante
os grandes cantores da época: Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardo. Lindas
valsas e serestas? Sim, e daí? Daí é que algo tinha de ser feito.
Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos.
- Ritmo é batida, como do relógio, do pulso, do coração- E Bossa Nova é batida diferente do violão,
poesia diferente das letras, cantores diferentes dos mestres. A Bossa
Nova não seria melhor nem pior. Seria completamente diferente de tudo,
mais intimista, mais refinada, mais alegre, otimista. Diferente.
Não começou especificamente num lugar, numa rua, num evento, num Festival. A rigor, ela
não é nem um gênero musical. É o tratamento que se dá a uma música,
em termos de 'batida' e de ritmo.
O primeiro grande marco inicial da
Bossa Nova aconteceu em primeiro de março de 1958,quando João Gilberto
cantou, com a batida de violão diferente, 'Chega de Saudade',
posteriormente gravada por Eliseth Cardoso, no disco 'Canção do amor
demais'. Em 1956, ninguém falava em Bossa Nova, mas o apartamento onde
morava Nara Leão, no Edifício Palácio Champs Elysée, em frente ao
Posto 4, já era ponto de reunião dos rapazes bronzeados de Copacabana: Carlos
Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli e outros. Não se compunham
músicas ali. Ouviam-se. E trocavam idéias.
Só no ano seguinte, em 1957, João
Gilberto chegou ao Rio e, certa noite, foi à casa de Roberto Menescal,
na Galeria do mesmo nome, em Copacabana. E aconteceu o grande encontro:
O ritmo encontrou a música e a poesia.
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O GRANDE
ENCONTRO: JOÃO GILBERTO E ROBERTO MENESCAL
UM
DESLUMBRAMENTO - OS PRIMÓRDIOS DA BOSSA NOVA |
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- Tem um violão aí? Eu
sou o João Gilberto. Podíamos tocar alguma coisa.
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Menescal, surpreso com
"aquela figura esquisita", mandou-o entrar.
Já ouvira falar num "baiano meio louco, genial,
afinadíssimo," que às vezes aparecia no Plaza, na Rua Princesa Isabel, por
volta de 1957.
Carlos Lyra já conhecia "aquela figura".
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Ronaldo Bôscoli e Carlos
Lyra |
Mas voltemos ao apartamento do Menescal.
Casa cheia. Menescal levou o baiano para o quarto dos fundos. Curioso. Violão
examinado e devidamente afinado, João começou a cantar "Hô–ba-la-la", de sua autoria.
Uma espécie de beguine – musica caribenha já
esquecida. Menescal não entendeu nada da letra. Mas quem se importava com
letra? A voz do "cara" era um instrumento! Um trombone da melhor qualidade. E
João Gilberto não parecia cantar. Dizia as letras, num sussurro, mal abrindo os
lábios. E repetiu o estranhíssimo "Ho-ba-la-la" cinco ou seis vezes, cada uma de maneira
diferente, mas com a mesma batida. A mesma bossa. Quase ninguém conhecia João
Gilberto, no Rio, em 1957, principalmente os mais jovens. Quem ele era, o que
fazia, como aprendera violão, como cantar daquele jeito diferente. Sabia-se, vagamente, que viera da Bahia pra
cantar num conjunto, mas não se adaptara. E cantava esporadicamente, na noite
do Rio. Fascinado, Menescal resolveu "mostrar sua descoberta" aos amigos.
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E saiu com o baiano a tiracolo.
Com violão e tudo.
Começou pelo apartamento de
Ronaldo Bôscoli, na rua Otaviano Hudson, onde João Gilberto cantou "Ho-ba-la-la" muitas vezes.
E cantou outra canção muito estranha, chamada
"Bim-Bom".
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Música
noite a dentro - Como dormir?
A
"pré-Bossa Nova" de Dick Farney
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O mestre João Gilberto abriu os ouvidos de Menescal e Bôscoli para uma música que até então desconheciam.
O dia amanhecia quando chegaram os três ao apartamento da Nara Leão, onde "o show" foi repetido mais uma vez.
E o grupo partiu para a Urca, onde morava Ana Lu. Fascinado, Roberto Menescal queria aprender aquela "batida" diferente e não tirava os olhos das mãos de João Gilberto. E era professor de violão, como o Carlos Lyra. E a voz? O baiano explicou como conseguia soltar "um monte" de frases num único fôlego. "Reza a lenda" que João Gilberto admirava muito a respiração de Dick Farney, que já cantava uma espécie de "pré-bossa nova". E, mesmo fumando dois maços de cigarros por dia,
tinha uma técnica muito especial, em termos de respiração. Sinatra, claro, era o guru maior. Ensinou ao mestre que ensinou ao
professor. Talvez João Gilberto nem soubesse que Sinatra era mestre em respiração. Seus mestres eram mesmo os yogues indianos. O baiano era muito estranho!
Com o nome de Farnésio Dutra cantor algum conseguiria ser conhecido, mesmo com o enorme charme que encantava as meninas,
à época da Segunda Guerra Mundial.
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Assim, um rapaz de 24 anos tornou-se Dick Farney - charme, voz, elegância, bom gosto "pra dar vender", como se dizia. Esbanjava talento no Cassino da Urca, no tempo em que o jogo era permitido. Ele tinha gravado
"Copacabana", pela Continental, em
1942, de João de Barro, o nosso querido
"Braguinha". Sucesso absoluto que ouve-se até hoje, nas rádios de bom gosto.
Mas Dick queria mais, muito mais. Seu "papa" era Frank Sinatra, "The
Voice". Nele se inspirava para cantar, gesticular, andar no palco, estar sempre de gravata e cabelo bem penteado. Já o chamavam de
"O Sinatra Brasileiro" e havia até um Fan Clube, de carteirinha e tudo:
"Sinatra-Farney Fan Club".
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Aos vinte e cinco anos foi para os Estados Unidos para tentar cantar e gravar em inglês,
levando um contrato inicial de cinqüenta e duas semanas com a Cadeia de Radio NBC. E não é que deu certo? Gravou um grande sucesso
da época: "Tenderly". Nos dois anos seguintes a Continental lançou outros sucessos, clássicos como "Ser ou não ser", "Marina" e "Esquece".
Eram os anos 1947 e 1948, quando voltou para o Brasil - não sem antes ser elogiado pessoalmente pelo maior cantor do século: Francis Albert Sinatra. Como escreveu Ruy Castro, em relação a Frank Sinatra, ouso repetir a frase com relação a Dick Farney: "Não creio que o século vinte tenha fundos para resgatar sua dívida emocional para com Dick Farney".
Ele emocionou milhões de corações com "Somos Dois", "Marina", "Copacabana", "Nick Bar", "Aeromoça", "Não tem Solução", "A saudade mata a gente", "Tereza da Praia", "Uma loira",
"Um Cantinho e Você" e tantas outras belezas!
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Os
bronzeados rapazes de Copacabana
Roberto
Menescal, Carlos Lyra e a Academia de Violão
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Em 1956, pressionado pela familia, Menescal teve que "deixar a boa
vida" de pesca submarina, violão e milk shake. E veio o conflito natural de todo jovem: a escolha
da profissão. Não sabia se, continuando a tradição familiar, faria o vestibular para Arquitetura,
se entrava para a Marinha (onde havia muitos "barquinhos" e muito peixe pra pescar), ou
continuava a aprender violão com o Edinho, do Trio Irakitan, para desgosto dos pais.
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Falsificando a carteira de estudante, começava a invadir os lugares da noite carioca, fascinado pelo Tito Madi
e pela Sylvinha Telles.
Fascinado também pelo disco "Julie is her name", onde um tal de Barney Kessel "destroçava" um tremendo violão!
Preocupados, os pais observavam o fanatismo do Menescal, que cursava o último ano do Curso
Científico do Colégio Mello e Souza, na Rua Xavier da Silveira.
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Ele soube que no Colégio Mallet Soares, na mesma rua, um tal de Carlos Lyra já
tocava violão por cifra, quase profissional. Muitos alunos, e até professores, "matavam aula"
pra ouvir o violão do Carlos Lyra, que já gravara duas músicas. Sem o conhecimento dos pais, Menescal
rapidamente pediu transferência para o Mallet Soares. Queria ficar
perto do mestre das harmonias.
Era 1956. Os pais de Menescal, como todos os
pais, não aceitavam o violão, de jeito nenhum. Era "instrumento de boêmio irresponsável".
E,
coitado do Menescal, que não tinha nada de boêmio. Não fumava. Só bebia milk shake.
Com a mesada cortada pelos pais preocupados, o nosso Menescal teria que virar-se. Sem dinheiro para
o milk shake, propôs ao Carlinhos Lyra abrirem uma Academia de Violão. Mais que depressa, Carlos Lyra
aceitou, louco pra se livrar dos desvelos de sua super-mãe.

Copacabana - Colégio Mallet Soares - 3ª série
- 1955
Nesta turma estudou Carlos Lyra. Alguém o identifica? Lá em cima, à esquerda.
Foto enviada por Ruy Pfau.
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MENESCAL,
CARLOS LYRA E A ACADEMIA DE VIOLÃO
HISTÓRIAS
NO APARTAMENTO DA RUA SÁ FERREIRA |
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Carlos
Lyra |
João Paulo, amigo de
Carlos Lyra, tinha um pequeno apartamento na Rua Sá
Ferreira, para "encontros furtivos".
Sabendo que os dois "professores" planejavam montar uma Escola
de Violão propôs-lhes o seguinte:
- Vocês me pagam 10% do que
receberem dos alunos e a "Academia" pode começar. Fica
estabelecido que os "encontros" estão automaticamente
suspensos.
Negocio fechado. E o que parecia uma aventura começou a dar bons
frutos. Aluno não
faltava, só que a grande maioria era composta de alunas. As mães
zelosas começaram a desconfiar do repentino interesse de suas filhas pelo
violão. E logo souberam da verdade: Os professores eram "dois
tremendos boas pinta".
Mas... negócio é negócio e os professores faziam questão de manter a
Academia nos rígidos padrões de respeito às alunas, principalmente o
Roberto Menescal.
Sucesso absoluto. Em poucas semanas já havia quase
cinqüenta alunas, inclusive a
Nara Leão, em cujo apartamento aconteciam as reuniões tão famosas.
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Carlinhos Lyra, que já tinha composto sua primeira música [e letra],
"Quando chegares" [1954], tinha na praça as músicas "Menino" e "Foi a
noite", gravadas pela Silvinha Telles. Ficou independente das
"mesadas maternas".
Enquanto dava aulas de violão, Carlos Lyra , em 1956, "estoura"
com seu primeiro grande sucesso: "Maria Ninguém". Mal sabia que seria uma das
músicas favoritas de Jaqueline Kennedy que cantava "Maria Nobody"!
Daí em diante foi só sucesso. O mestre Tom Jobim afirmava que Carlos
Lyra era autor das melhores harmonias. Em 1962 ele estava no famoso
Concerto de Bossa Nova, no Carnegie Hall, de Nova York. Uma tremenda
desorganização que fez a Bossa ultrapassar fronteiras e ganhar o mundo.
Nesse mesmo ano compõe com o mestre Vinicius o musical "Pobre
Menina Rica".
Carlos Lyra perguntava ao Vinicius
de Moraes:
- Mas, Vinicius, como pode uma menina da Vieira Souto se
apaixonar por um mendigo?
E o nosso "poetinha" retrucou:
- É primavera! É primavera!
Nesse musical estão duas obras
primas de poesia e música: "Minha namorada" e
"Primavera". Sem dúvida, duas das mais belas obras da nossa MPB.
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SURGE UM
NOVO PERSONAGEM NA HISTÓRIA DA BOSSA NOVA
RONALDO
BÔSCOLI ENCONTRA ROBERTO MENESCAL E COMEÇA UMA PARCERIA DE PRIMEIRA
QUALIDADE
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Era 1956. Numa roda de violão, na Gávea, Menescal encontrou um grupo de
rapazes cantando "coisas diferentes". Um deles tentava cantar músicas
de Dick Farney, o que já era atestado de bom gosto. Era um repórter do
jornal "Última Hora" chamado Ronaldo Bôscoli. E cantava muito
mal. Conversa vai, conversa vem, viram que tinham muita coisa em
comum: Detestavam a tristeza das músicas que à época pareciam "dor
de cotovelo". A exemplo de Dick Farney, adoravam Frank Sinatra. O forte
do Menescal sempre foi a música. O do Bôscoli, a letra.
Marcaram um encontro que não houve, mas no segundo, na casa de Nara, os
dois disseram "presente". Já era 1957 e a "Academia do Violão"
estava fechada,"por motivo de força maior".
Ronaldo Bôscoli levou Chico Feitosa, (com quem dividia um
apartamento) às famosas reuniões em casa de Nara. Chico já era parceiro de Bôscoli na canção "Fim de noite"
e o nosso Ronaldo acabou instalado na casa de Nara, graças à extrema bondade dos pais da futura "musa da
bossa nova". Ele tinha 28 anos e ela apenas 20. Nara e os pais se encantaram
com o hóspede. Charmoso, inteligente e, como ela, muito tímido, o que
aumentava a atração. Já saíam juntos, sem receios dos pais. Sabiam que em
sua companhia ela não corria riscos.
A essa altura Carlinhos Lyra e Menescal reuniram suas economias e
reabriram a Academia. Novo sucesso: 200 alunas! E quando o Menescal apresentou Carlos Lyra ao
Ronaldo Bôscoli, aí sim, a Bossa Nova começou a ficar mais
rica, em quantidade e qualidade de poetas, cantores e compositores. E começou
o sucesso: "Se é tarde me perdoa", "Lobo Bobo". E a
Academia prosperava, já com um terceiro professor: Normando Santos. E a turma
da casa de Nara aumentou mais ainda, com a chegada dos irmãos Castro Neves,
Mário e Oscar, dois "ases" em música instrumental.
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Ela é Carioca - Ruy Castro Cód. do Produto: 71105 - Submarino
Em mais um de seus saborosos textos, o jornalista Ruy Castro traça, por
meio de 231 verbetes, um fascinante e curioso retrato de Ipanema, o
irriquieto bairro carioca que ficou mundialmente famoso por ter sido o
berço de gerações inteiras de artistas, intelectuais e libertários como
Tom Jobim, Arnaldo Jabor e Leila Diniz. |
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NARA
LEÃO
SEU
TALENTO, SUA VOZ, SEUS LINDOS JOELHOS
AS
FAMOSAS REUNIÕES EM SEU APARTAMENTO
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Dr. Jairo Leão e sua mulher, dona Tinoca, eram do Espírito Santo, mas foi
aqui no Rio que sua carreira de advogado teve êxito.
Tinham duas
filhas: Danuza, a mais velha, e Nara, que nasceu em 19 de janeiro de 1942
e veio para o Rio aos dois anos. Tinha apenas quatorze quando a Bossa Nova entrou na sua
vida. Era 1956.
O
"Cursinho de Violão" recebeu uma nova aluna: Nara Lofego Leão.
Ao
contrário do pai de Menescal, o Dr. Jairo tinha uma outra opinião no que
diz respeito ao famoso instrumento. Mesmo antes de existir a escola de violão, Nara já possuia um violão
e um famoso professor: Patricio Teixeira, que dava
aulas em sua casa. Levava nítida vantagem em relação às colegas de classe, claro.
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Foi Ronaldo Bôscoli quem descobriu a beleza dos seus joelhos.
Escreve
ele:
"Chegando lá, toquei a campainha e quem me recebeu foi a própria Nara.
Estava de shortinho curto, deixando inteiramente a descoberto seus joelhos
redondinhos, que foram objeto de muitas poesias, crônicas e suspiros
gerais."
Nos últimos anos de 1950, trabalhava como repórter, num jornal do Rio. Estreou
profissionalmente
em 1963, cantando no musical "Pobre Menina
Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Gravou duas faixas no disco de
Carlos Lyra "Depois do Carnaval": "É tão triste dizer adeus"
e "Promessas de você". No ano seguinte, em 1964, gravou seu primeiro
LP: "Nara". Um disco muito polêmico, porque misturou Bossa Nova com samba de morro que
"não tinha nada a
ver".
No fim daquele ano gravou o famoso "Opinião" e participou do
show-protesto. Como Carlos Lyra, Nara era o que se chamava uma cantora "politicamente
engajada". Em 1965 convidou uma nova cantora, Maria Bethânia, para substituí-la no
show. Tornou-se, assim,
descobridora da famosa cantora baiana.
1966 foi um ano de grandes sucessos: "A Banda", de Chico
Buarque e "Disparada" de Geraldo Vandré. "A Banda" dividiu
com "Disparada" o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.
Sucesso fulminante. O compacto vendeu 55 mil cópias em apenas quatro dias.
Um tumor, localizado em seu cérebro, causou sua morte em 7de junho de 1989. Ela resistiu quase quatro anos.
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Rio Bossa Nova: um Roteiro Lítero-Musical Ruy Castro Cód. do Produto: 1810716
Um passeio pela geografia e pela história da Bossa Nova. O escritor e
jornalista Ruy Castro toma o leitor pela mão e percorre os caminhos do
gênero pelo Rio de Janeiro. Um guia de casas de show, bares, lojas,
paisagens e roteiros da Bossa Nova de ontem e de hoje - com os endereços -
para quem quer percorrer os caminhos do movimento que transformou a música
brasileira.
Os apartamentos de onde se via o Redentor, os terraços à beira-mar, os
becos da madrugada, as musas a caminho do mar. Dicas, comentários e o mapa
mais completo da Bossa Nova no Rio já realizado até hoje.
Rio Bossa Nova é um livro para desfrutar, na cidade de origem, a cultura
carioca irradiada mundo afora. Bares e casas de show no tom certo, pontos
de encontro e festas. Livros, discos, moda, restaurantes. Onde se toca e
quem toca, onde comprar discos raros, os endereços clássicos.
Entre os diversos bairros e locais citados, os leitores percorrem os
quatro cantos da cidade. Ilha do Governador, Tijuca, Lapa, Centro do Rio,
Flamengo, Urca, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea, Alto da Boa Vista, Barra,
São Conrado, Copacabana, Leme, Ipanema, Arpoador, Leblon foram
radiografados pelo autor, que visitou os locais e encontrou tesouros da
Bossa Nova.
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Thereza
Hermany e Tom Jobim
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A Bossa Nova já nasceu abençoada por Deus. Teve a participação brilhante
do maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim - ou simplesmente
Tom Jobim.
É unanimidade nacional: Tom foi a figura mais importante da música
brasileira, em toda a sua história, só comparável a Villa-Lobos, a quem
admirava profundamente. Conhecido e reconhecido em todo o mundo, Tom havia
mudado de endereço, indo morar em Copacabana.
Em 1954, Tom retornou a Ipanema, para famoso endereço: Rua Nascimento
Silva,107 apartamento 201. Foi nele que, em parceria com Vinicius de Moraes,
compôs o clássico "Se todos fossem iguais a você", em 1956.
Em 1957, compôs outro clássico, "Chega de saudade" e reencontrou
João Gilberto. Alguns pesquisadores acham que daquele encontro resultou a
Bossa Nova. Vinicius de Moraes concorda, mas o tema é muito controvertido. Em 62 Tom veio morar perto de mim, aqui na
Rua Barão da Torre, também número 107 e aqui ficou até 1965. Naquele ano
recebeu um bom dinheiro de direitos autorais e comprou uma casa na
Gávea, na Rua Codajás, deixando (fisicamente) Ipanema para sempre. Mas Ipanema, e não
Copacabana, é o berço da Bossa Nova. Escreve Ruy Castro em "Ela é Carioca":
"...embora a vitrine da Bossa Nova fosse Copacabana, o coração musical do movimento
estava em Ipanema. Foi aqui que ele compôs, com Newton Mendonça, "Foi
a Noite", "Caminhos Cruzados", "Discussão", "Domingo
Azul do Mar", "Meditação", "Desafinado" e
"Samba de uma nota só". Aqui ele compôs, com Dolores Duran
"Estrada do Sol", "Se é por falta de adeus" e
"Por causa de você".
Em Ipanema ele compôs "Eu sei que vou te amar",
"A
felicidade", "Insensatez", "Agua de Beber", "O
amor em Paz", "Por toda a minha vida", "O grande
amor", "O morro não tem vez", "Ela é
Carioca", "Garota de Ipanema", "Dindi", "Inútil
Paisagem", "Samba do avião" e tantas obras primas.
Será coincidência que a fase mais solar e marítima da obra de
Tom tenha sido feita quando ele morava aqui?"
O que vocês acham?

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Sinfonia do Rio de Janeiro - Tom Jobim CD Importado Cód.
do Produto: 1888427 This
edition [IMPORT] entitled Sinfonia do Rio de Janeiro, is the
Tom Jobim release, one of the greatest names in the world music. The
album brings together fantastic songs along with the best of its style,
as its very clear thru tracks such as "Teresa da Praia" and "O Que Vai
Ser de Mim?", some of the highlights. An incredible work. Check it
out! 1. Teresa da Praia
2. O Que Vai Ser de Mim?
3. Sinfonia do Rio de Janeiro
4. Sinfonia do Rio de Janeiro
5. Solidao
6. Outra Vez
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O
CASAMENTO PERFEITO:
DOIS GÊNIOS SE ENCONTRAM NA BOSSA
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Aos quarenta e cinco anos, em janeiro de 1958, Vinicius - o poeta,
encontra a semente da Bossa Nova em "Chega de Saudade" - uma das faixas do LP "Canção do Amor Demais", gravado
por Elizeth Cardoso. Seu parceiro - o maestro maior - foi Tom Jobim. A Bossa Nova nascia privilegiada.
Três "monstros sagrados". Já podia-se ouvir a batida do violão de João Gilberto. De repente um diplomata
foi promovido a guru de um movimento musical. E não parou mais de escrever maravilhas.
Entre 58 e 65 produziu, com Tom Jobim, cinqüenta títulos, quarenta com Baden Powel,
trinta com Carlos Lyra e vinte com Edu Lobo.
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Entre 58 e 65 produziu, com Tom Jobim, cinqüenta títulos, quarenta com Baden Powel,
trinta com Carlos Lyra e vinte com Edu Lobo.
A rigor pode-se dizer, sem medo de errar, que a mudança radical da poesia na MPB
começou com Vinícius de Moraes. A mulher traidora, vulgar, vilã e vagabunda cedeu o lugar à garota bonita
cheia de graça, à mulher amada e linda. A mulher rejuvenesceu, deixou de ser vamp. Passou a ser graciosa.
Foi a dupla Tom-Vinícius que universalizou a Bossa Nova.E, pasmem, foi muito criticada
por alguns críticos "de mal com a vida". A Bossa foi acusada de influência americana, quando, ao contrário,
influenciou e contagiou a música de Tio Sam.
É muito extensa a obra poética de Vinícius, literária e musical.
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Nara
Leão e Vinícius de Moraes |
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BADEN
POWEL
A BOSSA
NOVA ENRIQUECE
E GANHA O
MAIOR VIOLONISTA DO PAÍS |
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Roberto Baden-Powell de Aquino, ou simplesmente "Baden Powell"
nasceu numa cidadezinha do interior fluminense chamada "Varre-e-sai" em 6 de agosto de 1937.
Veio para o Rio em 1955 indo morar em São Cristovão.
Neto e filho de músicos, o garoto herdou o talento e a genialidade que estarreceram o mundo anos mais tarde.
Seu primeiro violão foi "roubado" de uma tia e seu primeiro professor foi o Meira - violonista da orquestra de Pixinguinha.
Baden começou a tocar profissionalmente no Cabaré Brasil e, mais tarde, na boite do Hotel Plaza, onde se
reuniam os primeiros "bossanovistas".
Seu primeiro sucesso foi "Samba Triste", composto em 1959, em parceria com Billy Blanco.
Escreve Luiz Carlos Maciel: "Para mim, Baden Powell é o maior compositor da
genuína música popular brasileira - ninguém faz uma seresta moderna melhor que ele. Toca tudo que é possível e toca melhor do que todo mundo. Ninguém harmoniza melhor do que Baden. Ninguém. Eu o conheci através de Dolores Duran, no Beco das Garrafas, no
Little Club... tenho quase certeza de que fui eu quem o aproximei de Vinicius de
Moraes."
Parecia que "uma química especial" existia entre os dois. Ficavam dias inteiros tentando encontrar o fim de uma canção! A primeira parceria foi "Samba em Prelúdio". E se seguiram mais de 50 clássicos. Baden teve muitos parceiros poéticos, inclusive Paulo Cesar Pinheiro. Desse ultimo, eu gosto muito de "Violão Vadio" que Eliseth interpreta magistralmente.
O longo período em que viveu na Europa fez com que seja muito mais conhecido naquele continente, principalmente na França e na Alemanha.
É, sem dúvida, o maior violonista do Brasil em todos os tempos, não só pela técnica, mas pela capacidade de criar. Ninguém criava acordes mais lindos.
Baden suplantava a todos.
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A MAIS
LINDA VOZ DO BRASIL GRAVA "GAROTA DE IPANEMA"
UM
CLÁSSICO DA BOSSA NOVA |
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Pery Ribeiro é filho da famosa cantora Dalva de Oliveira e do compositor
Herivelto Martins. Esse nome artístico foi sugerido e adotado pelo apresentador César de Alencar
nos anos cinqüenta.
Gravou seu primeiro disco em 1960. No ano seguinte gravou dois grandes sucessos
da dupla Antonio Maria e Luiz Bonfá: "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu". É um cantor de estilo
genuinamente romântico e de seus relacionamentos com a Bossa Nova surgiu a primeira gravação de
"Garota de Ipanema", de Tom e Vinicius, feita em 1963. Gravou doze discos desse repertório, dos quais
se destacam:
- "Pery Ribeiro sings Bossa Nova Hits" [1980]
- "Os grandes sucessos da BossaNova" [1980]
Pery é um cantor completo: Um lindo timbre de voz, respiração perfeita,
apurado uso do diafragma e uma ótima divisão de frases. Pena não ter o reconhecimento merecido.
Desenvolveu trabalhos jazzisticos com Leny Andrade e Bossa
Três, com quem obteve
sucesso na gravação ao vivo do show "Gemini V", (clique
aqui para ouvir)
viajando pelo México e Estados Unidos, onde
atuou também ao lado do Conjunto Sérgio Mendes.
Recomendo um disco perfeito do Pery que ouço quase diariamente:
- "Tributo a Taiguara"
Imperdível!
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LUCIO
ALVES
OUTRO
GRANDE PIONEIRO DA BOSSA NOVA |
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No seu livro -"A onda que se ergueu no mar"- Ruy Castro
escreve, com o
brilhantismo e a competência de sempre, um ótimo resumo biográfico de Lucio Alves, fazendo um paralelo
com a vida de outro "monstro sagrado": Dick Farney.
"Os dois tornaram clássico quase tudo que gravaram. Inspiraram seguidores
sofisticados, abriram o caminho para a Bossa Nova, participaram dela como ministros sem pasta e,
juntamente com ela, foram atropelados pelo processo. Na passagem dos anos 60 para 70, os dois
viram seu mercado encolher dramaticamente. Mas nunca se prostituíram, nunca fizeram concessões
a estilos em que não acreditaram. E pagaram por isso: morreram tristes, abandonados pelas
gravadoras, afastados do público - Dick, em São Paulo, em 1987, aos 66 anos; Lucio, no Rio, em 1993,
também aos 66 anos."
Lucio Alves nasceu em 1927, em Cataguazes, Minas Gerais, mas aos sete anos
já estava no Rio. Muito jovem estreou no Programa "Picolino", na Radio Mayrink Veiga. Tinha apenas
nove anos e já se apresentava, cantando o repertório de Orlando Silva, mas sua grande paixão
era a voz do seu ídolo: Bing Crosby. Aos quatorze anos formou o Conjunto "Namorados da Lua". Já
fumava desde os nove anos, "tomava umas e outras" e morava com uma mulher que tinha o
dobro da sua idade!
E foi aí que surgiu seu primeiro sucesso: "De conversa em conversa", em parceria
com Haroldo Barbosa. Daí em diante, foi só sucesso: 1945:"Eu quero um samba".
Lucio Alves gravou quase todo o repertório de Dick Farney. Os dois empolgaram a
garotada que viria a fazer a Bossa Nova: Johnny Alf, João Donato, Dolores Duran, Billy Blanco,
Tom Jobim, Newton Mendonça, Tito Madi e Carlos Lyra.
Em 1954, Dick e Farney receberam "um presente" de Tom e Billy:
O clássico "Tereza da
Praia" (clique
aqui para ouvir), em homenagem a Tereza Hermany - mulher de Tom Jobim. Música e uma letra
ma-ra-vi-lho-sas!.
Poucos sabem que Lucio Alves foi uma presença ativa nos primeiros shows amadores
da Bossa Nova. Carro-chefe do famoso show na Escola Naval. Esse eu vi, acreditem! |
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HISTÓRIAS
PITORESCAS DA BOSSA NOVA
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Todo mundo ouvia falar muito de João Gilberto. Diziam que era
um cara maluco, que já havia sido internado, vivia de cabelo enorme, barbado e que,
como um vampiro, só saía à noite.
Certo dia, chegou à casa do Ronaldo Bôscoli. Não era nada do
que diziam as más línguas.
Cabelo cortado, barba feita, sapato engraxado e, claro, um
violão debaixo do braço. Tocou um violão fantástico que deixou todo mundo
boquiaberto e explicou que tinha brigado com o Tito Madi, não tendo para onde
ir. Já era madrugada quando João, convidado pelo Bôscoli, mudou-se para o
pequeno quarto-e-sala do Edifício Haiti onde já moravam, além do Bôscoli, Mièle
e um empregado chamado Chico. Cinco "artistas" num quarto-e-sala.
Era um sujeito de hábitos muito estranhos. Ficava horas
ao telefone, horas no banheiro, para desespero dos outros moradores. Dormia
vestido, com uma gravata tapando os olhos. Ficava, como um morto, em decúbito
dorsal. Sempre muito limpo, muito asseado.
Havia um sistema para compras de mantimentos para a casa em que todos cooperavam. Só que o João Gilberto só comprava o que
gostava: Tangerina!
Ia pra rua de madrugada, passava na feira e comprava
quilos de tangerina. Chegava por volta das seis horas e acordava todo mundo,
cantando as músicas do dono da casa, Ronaldo Bôscoli. Aprendeu "Lobo Bobo"
(que o Bôscoli fez para a Nara) e "Saudade fez um Samba",
com acordes magníficos, deslumbrando a todos.
Certo dia disse ao Ronaldo (a quem ele chamava de
"Ronga"):
- "Que suéter bonito, Ronga! Vocês cariocas tem bom gosto! Me empresta?".
O coitado do Bôscoli emprestou o lindo suéter que
ficou pra sempre com o "cara-de-pau".
Quem quiser ver, compre o primeiro LP que gravou: "Chega de Saudade".
O suéter está lá.
Quando a Bossa
Nova começou a ser descoberta, produzida e respeitada pela imprensa,
algumas das mais lindas mulheres de Copacabana começaram a se
interessar também pelos seus autores e cantores, que passaram a ser literalmente "cantados".
Elas organizavam
festas em seus grandes apartamentos e disputavam avidamente a atenção
dos galãs.
Tom, Menescal, Bôscoli, Carlinhos
e Normando eram os alvos principais. O primeiro era o mais cobiçado,
embora casado e super-vigiado
por sua mulher - Teresa Hermany.
Consta que quando
uma moça apaixonada pelo "bom pinta" debruçava-se no piano,
exibia seu generoso decote e dizia languidamente: "-Tom, você me
leva em casa?", ele respondia:
"- Um momentinho, vou telefonar pra Teresa".
Mas não resistiu
aos encantos da atriz francesa Milene Demongeot.
Normando Santos,
que era professor de violão na escolinha de Carlos Lyra e Roberto Menescal,
tinha uma aluna especial: Maria Teresa - mulher do então Vice-Presidente
da República, João Goulart. Reza a lenda que ela o convidou para "ver
um filminho no Palácio, às quatro horas". Contente da vida, nosso
amigo foi ao cinema Palácio, comprou os ingressos e ficou na porta, à
espera daquela beleza de mulher. Esperou, esperou e nada! Voltou pra casa.
Depois ficou
sabendo que ela o esperava no Palácio Laranjeiras, não no cinema Palácio....
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Sóstenes
Pernambuco Pires Barros morou na Rua Barão da Torre, em Ipanema, quase esquina de Vinícius de Moraes.
Estudioso
e apreciador da
"Bossa Nova", tinha uma grande
coleção de discos, CD's e livros sobre o assunto.
Nem precisa dizer que era
freqüentador assíduo da "TOCA
DO VINÍCIUS" (R. Vinícius de Moraes, 129 - Tel 2247-5227),
bem perto da sua casa, onde fomos encontrá-lo para tomar um chope.
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Sóstenes,
em seu escritório. |

Trecho
do depoimento de Carlos Alberto, da TOCA DO VINÍCIUS, para um vídeo
japonês. Clique
aqui para ouvir. |
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Os textos assinados são de
inteira responsabilidade de seus autores. |
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Tom Jobim, Vinícius, Toquinho e Miucha Itália-
1978
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Toquinho ao vivo
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Bossa Nova in Concert |
Emilio Santiago Bossa Nova |
Chico
Buarque: Carioca Ao Vivo |
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Este show histórico, gravado na Itália em outubro de 1978, reuniu quatro
grandes mestres da música brasileira, interpretando sucessos imortais da
Bossa Nova. Composições como "Wave", "Tarde em Itapuã", "Águas de Março" e
"Samba de Uma Nota Só", entre outras, estão presentes neste inesquecível
registro. Não deixe de conferir!
1. Samba de Orly
2. Tributo a Caymmi
3. Tarde em Itapoã
4. Desafinado
5. Wave
6. Samba de uma Nota Só
7. Águas de Março
8. Samba do Avião
9. O que Será (À Flor da Pele)
10. Samba para Vinicius
11. Vai Levando
12. A Felicidade
13. Água de Beber
14. Garota de Ipanema / Sei Lá
15. Chega de Saudade / Berimbau / Canto de Ossanha |
Desta vez Toquinho encanta a platéia presente da Televisioni Svizzera ,
numa apresentação única, realizada em 1983. Toquinho mostra ao público toda
a riqueza da música brasileira, passeando por um repertório que inclui "Asa
Branca" e "Na Baixa Do Sapateiro", além dos grandes sucessos que ele mesmo
compôs em parceria com Vinicius de Moraes e Chico Buarque, tais como "Samba
de Orly", "A Benção, Bahia" entre outras canções inesquecíveis.
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Este DVD registra a genialidade musical de João Donato, Johnny Alf, Roberto
Menescal, Carlos Lyra, Durval Ferreira, Peri Ribeiro, Leny Andrade, Os
Cariocas, Wanda Sá e a nova onda que perpetua mundo afora a música
brasileira - com Marcos Valle e o Bossacucanova.
1. Ela é Carioca
2. Adeus America
3. Rapaz de Bem
4. Minha Saudade
5. Amazonas
6. Lobo Bobo
7. Minha Namorada
8. O Barquinho
9. Telefone
10. Garota de Ipanema
11. O Astronauta
12. Batida Diferente
13. Chora Tua Tristeza
14. A Morte de Um Deus de Sal
15. Samba de Verão
16. Os Grilos
17. Águas de Março
18. Rio
19. A Felicidade |
Emílio Santiago percorre clássicos da bossa nova em belas interpretações.
Os extras trazem fotos e um making of, entre outras atrações.
1. Corcovado
2. Insensatez
3. Doce Viver
4. Rio
5. Manhã De Carnaval
6. A Felicidade
7. Bateu Pra Trás
8. Faixa De Cetim
9. A Volta
10. Naquela Estação
11. Aula De Matemática
12. Chuva
13. Canto De Ossanha
14. Garota De Ipanema
15. Você E Eu
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Este DVD apresenta o show que trouxe Chico Buarque de volta aos palcos
depois de sete anos. Com direção musical e arranjos de Luiz Cláudio Ramos e
produção de Vinícius França, Carioca - Ao Vivo é um passeio
dramatúrgico de Chico sobre, mais do que sua obra, o seu imaginário musical
e poético. Destaques para "Voltei a Cantar", "Morena de Angola", "O
Futebol", "Eu Te Amo" e "Bye Bye Brasil". Imperdível!
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