Abelim Maria da Cunha é o verdadeiro nome de Ângela Maria, nascida em Conceição de Macabu, distrito de Macaé, RJ, em 13 de maio de 1928. Começou a cantar ainda adolescente no coro da Igreja Batista do bairro carioca do Estácio, onde seu pai, Albertino Coutinho da Cunha, era pastor. Na verdade, todos os seus irmãos cantavam durante os cultos religiosos. Sua voz, porém, era a mais apreciada. Já nessa época, trabalhava como inspetora em uma fábrica de lâmpadas, a General Eletric, onde soltava sua potente voz para encanto dos operários e desespero dos chefes. O sonho de ser cantora de rádio impulsionou sua decisão de participar de programas de calouros, o que causou um transtorno familiar. Segundo declaração da própria cantora, ao Jornal O Pasquim em 1976, "...levei muitas surras de minha mãe porque ela não queria de jeito nenhum. Eu fugia de casa para participar de programas de calouros".

O pai não admitia que sua filha desejasse a carreira artística, coisa malvista na época. Mas a jovem estava decidida a ser cantora de rádio e fazer sucesso. Por ser ardorosa fã de Dalva de Oliveira, então no auge da carreira, passou a imitá-la, arrebatando assim todos os concursos de calouros em que se inscrevia. O problema estava no fato de que ninguém a queria contratar, já que era quase cópia de Dalva de Oliveira. Decidida a abraçar a vida artística, largou escola, fábrica, igreja e foi morar com uma irmã no bairro carioca de Bonsucesso. Anos depois, recebeu de Getúlio Vargas o apelido de "Sapoti". Um dia, ao encontrá-la, o então presidente da República lhe disse: "Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti". Sua vida pessoal, sempre muito atribulada e freqüentemente rastreada pela imprensa, foi marcada por muitos casamentos. Apesar de não ter tido filhos, adotou algumas crianças, as quais sempre considerou como filhos legítimos.

Em 1948, saiu de casa aos vinte anos para cantar no Dancing Avenida. Foi descoberta pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira que a levaram para a Rádio Mayrink Veiga. Iniciou sua carreira profissional cantando em diversos programas radiofônicos com o pseudônimo de Ângela Maria, para que a família não descobrisse. Participou de vários deles, entre os quais "Pescando estrelas", de Arnaldo Amaral, na Rádio Clube do Brasil; "Hora do pato", de Jorge Curi, na Rádio Nacional; "Trem da alegria", dirigido pelo Trio de Osso - Iara Sales, Lamartine Babo e Héber de Bôscoli -, na Rádio Nacional, "Papel carbono", de Renato Murce, na Rádio Nacional; além do famoso programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi. Em sua primeira apresentação na rádio, esqueceu a letra, saiu do ritmo e, quase aos prantos, cantou o samba-canção "Fuga", de Renato de Oliveira. Pensou que perderia o emprego, mas a produção lhe deu o prazo de uma semana para criar um repertório próprio e deixar de imitar Dalva de Oliveira. Daí em diante, começou a revelar seu talento e originalidade.

Gravou com o cantor Cauby Peixoto o LP "Ângela & Cauby", disco no qual cantaram, entre outras, "Começaria tudo outra vez", de Gonzaguinha; "Eu não existo sem você", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; "Matriz ou filial", de Lúcio Cardim; "Meu bem querer", de Djavan e "Boa noite amor", de Francisco Mattoso e José Maria de Abreu.

A biografia e discografia completas de Ângela Maria podem ser encontradas no mais completo site sobre MPB: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, de onde foram extraídas as informações desta página. Uma fonte de consulta permanente.


Eu não existo sem você

"MENTINDO" - Angela Maria, canta no filme "Rio Fantasia" de 1957, direção de Watson Macedo.

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02-ago-2008