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Ainda menina, costumava
freqüentar a famosa casa de Tia Ciata. Com apenas 5 anos, subiu no palco
da antológica Sociedade Familiar Dançante Kananga do Japão e pediu para
o pianista acompanhá-la na marchinha "Zizinha". Em 1930, aos
dez anos, começou a trabalhar para ajudar a família. Foi balconista,
peleteira, saponeteira e cabeleireira. No aniversário de seus 16 anos, a
família se reuniu na casa de sua tia Ivone. Nessa época, sua família
morava numa casa de cômodos na Rua do rezende 87, no centro do Rio, onde
morava a tia Ivone com seu marido. Para a festa, foram convidados vários
amigos músicos: Pixinguinha, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim (com
apenas 18 anos), entre outros. Tio Pedro (marido de Ivone) falou então
para Jacob: "Olha aí, Jacob, a minha sobrinha aí, a Elizeth, sabe
cantar algumas coisas. Que tal vocês ouvirem e organizarem um
acompanhamento para ela?" Meio sem graça, a jovem Elizeth encantou a
todos com sua voz. Jacob então convidou Elizeth para um teste na Rádio
Guanabara, que foi o trampolim para sua carreira. Declarada namoradeira,
Elizeth, em depoimento ao MIS, contou suas proezas amorosas. Mesmo tendo a
vigilância constante de Seu Jaime, pai extremamente zeloso com a honra de
sua filha, namorou muito, mesmo contra a sua vontade, inclusive o famoso
craque de futebol Leônidas da Silva. Por volta de 1938, adotou uma
menina, Tereza Carmela a quem criou como filha por toda a vida. Em 1939,
casou-se com Ari Valdez, o Tatuzinho, comediante e músico (cavaquinho),
com quem teve seu único filho legítimo, Paulo César Valdez. O casamento
durou pouco, pois Tatuzinho, segundo a própria Elizeth, tinha problemas
mentais. Era uma ótima pessoa, mas tinha "um parafuso a menos",
segundo o amigo e violonista Luís Bittencourt.
Entre seus grandes romances destacam-se os nomes do maestro Dedé, Evaldo
Rui e Paulo Rosa.
Costumava fazer suas viagens de trem, pois tinha medo de avião. Em 1954,
a cantora sofreu duro golpe: Evaldo Rui suicidou-se. A imprensa explorou o
envolvimento amoroso de Elizeth com o compositor, apesar dos familiares de
Evaldo insistirem que ela nada teve a ver com o fim inusitado do namorado.
No final de 1954, sofreu intervenção cirúrgica, por causa de uma crise
de apendicite aguda. Em 1966, viveu uma polêmica com o cantor Ciro
Monteiro, que, depois de gravar um LP a seu lado, programou alguns shows
que Elizeth não aceitou, por causa dos baixos cachês. O cantor ficou
mais magoado quando, na capa do LP, viu que sua foto era menor que a de
Elizeth. Esse incidente ainda atiçou a rivalidade entre Elizeth e Elis,
iniciada com sua participação no programa Bossaudade da Record. Elis
acabou recebendo um carão da cantora, quando interveio em favor de Ciro:
"Se você não quer me respeitar como cantora, não precisa
respeitar. Mas exijo que me respeite como mulher. Tenho idade para ser sua
mãe." Em 1969, por causa do sepultamento de sua mãe, não pode
receber das mãos do então governador Negrão de Lima, o prêmio Estácio
de Sá, em cerimônia na Sala Cecília Meirelles. Recebeu a estatueta oito
dias depois, num jantar promovido pelo MIS em uma churrascaria carioca. Em
1987, quando estava em uma excursão no Japão, os médicos japoneses
diagnosticaram um câncer no estômago, que obrigou a cantora a uma
cirurgia. Apesar disso, a doença ainda a acompanharia durante os três últimos
anos de vida. A cantora faleceu às 12h28 do dia 7 de maio de 1990, na Clínica
Bambina, no bairro carioca de Botafogo. Foi velada no Teatro João
Caetano, onde compareceram milhares de fãs. Foi sepultada, ao som de um
surdo portelense, no Cemitério da Ordem do Carmo, no bairro carioca do
Cajú.
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