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O envolvimento com a música, no entanto,
veio muito antes, pois desde a adolescência já gostava de cantar em festas
familiares, compor algumas músicas (aos 12 anos compôs o samba-canção
"Adeus"), além de tocar piano.
Em 1956, já grávida de seu único filho,
Jayme (que se tornaria o diretor de telenovelas da Rede Globo e da Rede
Manchete Jayme Monjardim), conheceu
o produtor Roberto Côrte-Real que, encantado com sua voz, quis contratá-la
imediatamente para gravar um disco.
Maysa pediu então que ele esperasse o
nascimento de seu filho. Quando este completou um ano de idade, a cantora
gravou o primeiro disco, lançado a 20/11/56 pela RGE, que então deixava
de ser um estúdio de gravações de jingles publicitários para se tornar
uma das mais importantes gravadoras brasileiras. Depois de dois anos de
casamento, Maysa e André Matarazzo, que se opunha à carreira artística
da esposa, se separaram. O fim do casamento abalou profundamente a
cantora, levando-a à depressão. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde
passou a se relacionar com a "turma da bossa nova". Namorou o
produtor Ronaldo Bôscoli. Foi a responsável pelo fim do noivado de Bôscoli
com Nara Leão, ainda no Aeroporto do Galeão, na volta de uma tournée que
fez à Argentina. Numa entrevista coletiva, anunciou seu noivado com o
jornalista/compositor, para decepção de Nara, que estava no aeroporto. A partir dessa época, começou a ter problemas
com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia.
Conheceu seu segundo marido, o advogado espanhol Miguel Azanza, quando
fazia uma temporada na Europa. Depois de se casar, fixou residência na
Espanha. Separada de Azanza, teve relacionamento amoroso com o ator Carlos
Alberto, e, depois, com o maestro Júlio Medaglia. Em janeiro de 1977,
faleceu em um trágico acidente de automóvel na ponte Rio - Niterói, aos
41 anos, quando se dirigia ao município de Maricá, onde tinha uma casa,
plantada nas areias, ao lado das residências do ator Carlos Alberto e do
crítico Ricardo Cravo Albin. Foi precisamente dirigindo-se à casa desse
último que sofreu (numa manhã de sábado ensolarada) o desastre de carro
que a vitimou, quase ao chegar à antiga capital fluminense.
O início da vida artística
Começa com Zé Carioca. Zé Carioca é o paulista José Patrocinio de Oliveira, que tocou nos "Chorões"
de Presidente Altino com o pai do Boni e o excelente compositor e
violonista Garoto - Augusto Anibal Sardinha – autor da célebre "Duas
Contas", precursora da modernização da música brasileira sublimada pela
bossa nova. Garoto veio para o Rio integrar com o violinista Fafá Lemos o
"Trio Melodia", de Radamés Gnatalli. Zé, bandolinista, foi para o
Bando
da Lua com Aloysio de Oliveira, acompanhando Carmem Miranda. Viveu por 30
anos em Los Angeles onde foi a voz do Papagaio do Disney. Morreu lá em
1996.
Zé Carioca era amigo de boemia do Alcebíades Monjardim, pai de Maysa, e também amigo do
Roberto
Corte Real. Foi o Zé que levou o Roberto para ouvir Maysa. Zé Carioca,
portanto, foi fundamental na descoberta de Maysa, foi quem "fecundou o
óvulo". Roberto quis contratá-la na hora, mas, grávida, ela só aceitou um
ano depois do parto. Maysa foi apresentada à equipe da RGE na casa do José Scatena, em uma reunião promovida pelo Roberto, através de um singelo
cartão "Convite para ouvir Maysa" que, depois, virou o nome do primeiro LP
de 10 polegadas.
Boni trabalhava na RGE na época e participou da reunião e do lançamento de
todos os discos da Maysa. Roberto Corte Real também levou Roberto Carlos
para a CBS Discos. Roberto Carlos era namorado da filha do Corte Real e
ele só ouviu o Roberto muito tempo depois da filha torrar a paciência dele
para dar uma chance para o garoto de Cachoeiro do Itapemirim e futuro
ídolo da Jovem Guarda.
Maysa: Quando fala o coração
A minissérie Maysa: Quando fala o coração resgatou o passado. Os
jovens puderam conhecer sua história e sua música, que se fosse gravada
agora, seria tão atual. Maysa estava além do seu tempo. Muito além. Como, em
geral, estão os grandes artistas.
Maysa, no auge do sucesso, teve a coragem de
seguir por um novo caminho, cantando num estilo totalmente diferente daquele que era
a sua marca. A bossa nova era o contrário da música fossa, do samba-canção, da
dor-de-cotovelo, estilo musical de Maysa. E saiu-se muito bem.
A minissérie também deve ter feito bem ao Jayme Monjardim, pois o mundo ficou conhecendo a sua vida de abandono e sofrimento,
apesar da fortuna e do sobrenome Matarazzo. Os traumas de infância, que deviam
perseguí-lo até hoje, foram exorcizados. A partir de agora Jayme Monjardim
será outro.
Maysa, onde estiver, para os que acreditam, deve
ter gostado da homenagem.
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