Paulo de Paiva Fortes, nasceu em 7 de fevereiro de 1923, carioca da Rua do Riachuelo, bisneto de Cândido Barata Ribeiro, 1º Prefeito do Rio de Janeiro, filho de Auto Barata Fortes e Zélia de Paiva Fortes.

Paulo Fortes Estudou no Colégio São Bento e bacharelou-se em Direito pela Faculdade do Rio de Janeiro (1948).

Na Faculdade de Direito participou do Teatro Universitário (TU), dirigido por Gerusa Camões, em diversas peças de teatro e também na Viúva Alegre. O Mº José Torre o viu neste espetáculo e o levou a estudar com Gabriella Besanzoni. Em junho de 1945, D. Gabriella se despedia da carreira e o apresentava em um concerto no Teatro Municipal e na Rádio Gazeta de São Paulo. Neste mesmo ano, em 5 de outubro, estreava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em La Traviata. Ele considerava esta data como a de sua estréia profissional.

Estudou com: Gabriella Bezanzoni, Murillo de Carvalho, Pina Monaco e Flaminio Contini em Florença.

Atuou em todas as manifestações de arte: Teatro, Cinema, Televisão. Sua preferência foi a música com a ópera o absorvendo.

A crítica escreveu:

"O grande êxito da noite, porém, coube a Paulo Fortes, jovem barítono brasileiro, de apenas 22 anos. Desde que pisou a cena, encarnando o velho "Germont", causou a melhor impressão pelo seu porte, suas maneiras, bem longe de revelar o estreante que ele era. E foi essa impressão que avolumou durante o seu trabalho, até atingir o "clímax" tão famoso em "De Provença."

Sua voz linda, maleável, pura, voz capaz de torná-lo célebre. Não tem, ainda nos graves, o suficiente corpo, o que se explica a sua pouca idade. No mais, porém, revelou as maiores possibilidades canoras e os mais acentuados pendores cênicos.

O público entusiasmou-se ante aquele artista jovem e espontâneo. Aclamou-o em delírio, na crença de que será ele, um dia, uma grande figura da arte lírica mundial.

É o caso de dizer: amém. Deus permita que não falhe esta esperança. Paulo Fortes tem futuro a desbravar, tem um destino a cumprir. Que não lhe faltem os meios para atingi-lo." Diário de Notícias, 7 de Outubro de 1945.

Foi também o artista que mais vezes atuou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.Participou como ator em diversos filmes e em diversos programas de televisão. Fez vários recitais de câmara. Gravou vários discos: O Guarani completo e trechos da Fosca, ambas de Carlos Gomes, Canções, e Serestas.

Sempre se destacou também como ator, dominando os palcos com facilidade nos mais difíceis e variados personagens como: “O Barbeiro de Sevilha” e “Italiana na Argélia”, de Rossini; “Falstaff”, “Aída”, “O Trovador”, “Rigoletto” e “La Traviata”, de Verdi; “La Bohéme”, “Madama Butterfly”, “Turandot” e “Gianni Schicchi”, de Puccini; “O Elixir do Amor” e “Don Pasquale”, de Donizetti; “Andrea Chenier”, de Giordano; “Carmen” e “Os Pescadores de Pérolas”, de Bizet; “Cosi Fan Tutti”, de Mozart; “O Chalaça”, “O Contratador de Diamantes” e “O Sargento de milícias”, de Francisco Mignoni; “Izath” e “Menina das Nuvens”, de Villa-Lobos; “Pedro Malazarte” e “Um Homem Só”, de Camargo Guarnieri; “O Guarani”, “Salvador Rosa” e o “Poema Sinfônico Coral Colombo”, de Carlos Gomes. Não podem ser esquecidas as suas interpretações em “Os Palhaços”de Leon Cavallo e “Le coq d’or”, de Rimsky-Kosakov. Também na música contemporânea obteve grande sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo interpretando “Eight songs for a mad King” de Peter Maxwell Davies, com a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Esteve sob a batuta de grandes Maestros como; Tullio Serafin, Antonino Votto, Bruno Bartoletti, Emidio Tieri, Edoardo De Guarnieri , Franco Ghione, Francesco Molinari Pradelli, Henrique Morelenbaum, Nino Stinco, Nino Verchi, Isaac Karabtchevsky, Nino Gaione, Olivero de Fabritis, Romano Gandolfi, Umberto Berretoni, Tino Cremagnani, Vittorio Guy e tantos outros.

Atuou ao lado de renomados artistas como: Antonietta Stella, Branca Rosa Baigorry, Elena Arismendi, Elizabetta Barbato, Elena Mauti Nunziata, Laura Londi, Magda Olivero, Margarett Mass, Norina Greco, Pia Tassinari, Renata Tebaldi, Virginia Zeani, Victoria de Los Angeles, Elena Nicolai, Alvino Misciano, Adelio Zagonara, Beniamino Gigli, Cesare Valetti, Ferruccio Tagliavini, Giuseppe Di Stefano, Gianni Poggi, Giacinto Prandelli, Gianni Raimondi, Mario Del Monaco, Ramon Vinay, Gino Becchi, Giuseppe Taddei, Giangiacomo Guelfi, Tito Gobbi, Arnold Van Mill, Agostino Ferrin, Boris Christoff, Giulio Neri, Rossi Lemeni.

Promoveu a colocação da estátua de Carlos Gomes - maior compositor operista da América do Sul – defronte ao Theatro Municipal, na Cinelândia. Nesta época um crítico escreveu que a arte não tinha pátria e ele retrucou dizendo que: “A arte não tem pátria, mas o artista tem.” Foi professor da Escola de Canto Lírico Carmem Gomes, do Theatro Municipal.

Paulo Fortes faleceu em 09 de janeiro de 1997.

Fonte: http://www.paulofortes.mus.br 

(Esta página, inclusive as músicas que servem de ilustração, tem o conhecimento da família do Paulo)


Senza teto, senza cuna ("Sem teto, sem cama", uma ária de "O Guarani")
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Gente humilde

PAULO FORTES, UM CARIOCA EMPEDERNIDO

Um barítono que interpreta ópera?
Um seresteiro que canta seresta?
Um saltimbanco amável de extraordinária verve cômica?
Muito mais: um bruxo-mor capaz de manter enfeitiçados os mais lépidos duendes,
um baráteno — um barítono que é um barato —
dotado de mágica musicalidade e o inexcedível traquejo de um lobo do palco,
internacionalmente festejado.

Minuciosa pesquisa e depoimentos de nomes ilustres da cena cultural brasileira
concorrem para que o autor esmiúce a trajetória operística (integralmente documentada)
de nosso mais expressivo representante do bel canto
e revele o cotidiano e os trejeitos ocultos que informam a crônica
do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Paulo Fortes, um brasileiro na ópera

Aconteceu em 17 de maio

na Livraria Argumento, no Leblon, 

o lançamento do livro 

"Paulo Fortes, um brasileiro na ópera"

de Rogério Barbosa Lima.  

Trata-se da biografia do grande artista brasileiro, 

escrita por  Rogério Barbosa Lima, autor

de "O Antigo Leblon - Uma Aldeia Encantada"

Algumas de suas deliciosas crônicas, que contam a história da "aldeia"

nas décadas de 40 e 50, estão nas nossas páginas, 

em "BAIRROS - LEBLON" e "CRÔNICAS".

Rogério Suarez Barbosa Lima é autor de:

  • O velho e o bar - crônicas - 1996

  • Minha gente saiu à rua - contos - 1998

  • O Antigo Leblon, uma aldeia encantada - 1999

  • Sem caminhos de volta - crônicas - 2000

  • O olhar matreiro do Serafim - contos - 2002

Este último é composto por trinta e oito contos e foi premiado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e Academia Brasileira de Letras na série NOVOS TALENTOS.

 

Algumas imagens:

Arthur da Távora e Mauro Salles


O soprano Diva Pieranti e a cunhada de Paulo Fortes


Rogério e Beth Gemmal


Os filhos Sérgio e Marcelo e Zilca Fortes, viúva de Paulo, com Rogério autografando.


Ronaldo Cesar Coelho


Diva Pieranti


Glória Queiroz e a cunhada de P. Fortes


Rogério Barbosa Lima


A bailarina Ana Botafogo e seus pais


Rogério Barbosa Lima


Sandra Barbosa Lima, Ana Botafogo e Zilca Fortes


Ana Botafogo e Mauro Salles


Rogério e o tenor Alfredo Colosimo


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02-ago-2008