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"Não há por certo, ninguém no Rio de Janeiro, que não conheça, ao menos por
tradição, a Igreja da Penha. É hoje um elegante santuário, situado no
cimo de um outeiro de pedra, na estação do subúrbio da E.F.Leopoldina
ao qual empresta o nome, próxima da estrada que, partindo da Capital, vai
dar a Petrópolis.
A construção do templo naquele pitoresco local,
data de 1635, e foi levada a efeito pelo Capitão português Baltazar de
Abreu Cardoso, sanhor abastado, proprietário de uma grande quinta, dentro
da qual se achava o penhasco.
Contam os antigos que a origem da capela
prende-se a um milagre ocorrido com o próprio Baltazar Cardoso quando,
certa vez, andava à caça em suas terras. Provavelmente perseguia algum
animal, quando subitamente lhe apareceu uma grande serpente, pronta para
dar-lhe o bote fatal.
Nesse momento angustioso o seu pensamento
voltou-se para a Virgem, e, mentalmente, implorou a sua misericordiosa
proteção. Na mesma ocasião, eis que surge dentre um monte de pedras
gigantesco lagarto e trava violenta luta com o réptil, dando a Baltazar
tempo para safar-se.
Agradecido ao céu, resolveu então o rico
proprietário edificar uma capela em honra de N.S.da Penha, no alto do
morro, para que pudesse ser vista de grande distância, relembrando sempre
o milagre que lhe havia salvo a vida
A propósito da igreja há muitas lendas,
contadas por diversos escritores; entretanto a que relatamos acima é a
mais difundida, e, tanto assim que a figura que se vê no arco do altar do
templo representa a Santa entre nuvens, tendo aos seus pés um homem
ajoelhado, em atitude de quem ora, e, em plano inferior, um lagarto e uma
cobra..."
MAURÍCIO, Augusto - Templos Históricos do Rio de
Janeiro - Gráfica Laemmert, Limitada - 2ª edição - s/d
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