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MAIS QUE UMA PROFISSÃO, UM ESTADO DA ALMA !
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A trágica
morte de Tim Lopes, enquanto trabalhava, chamou a atenção
para os riscos da profissão de jornalista. Sua morte brutal jamais será esquecida.
Passados alguns meses,
com o julgamento ponderado pelo tempo, o que pensam seus colegas de
profissão?
Vale a pena correr tanto risco? Por que ser
"JORNALISTA"?
Como está o mercado de trabalho?
Quais as melhores empresas para se
trabalhar?
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Martha
Esteves, Subeditora de Esportes de O DIA, numa conversa descontraída com a nossa
jornalista Fernanda Teixeira, nos fala da profissão que escolheu. Martha
Esteves começou a carreira profissional na Revista Placar. Trabalhou no
Jornal do Brasil, Agência de Notícias UPI, TV Globo, Revistas Playboy e
Caras. É Subeditora de Esportes de O DIA e apresenta flashs de esportes na
Rádio MPB FM, uma emissora do grupo O DIA.
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Martha
Esteves |
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Fernanda:
Qual a matéria mais interessante que você
já fez?
Martha: Fiz milhões de matérias de repercussão. Na TV, a denúncia para o
Fantástico (câmera escondida) sobre um ortopedista de um hospital
municipal do Rio que assediava as pacientes, em 95, até então a matéria de maior
repercussão da história da TV. No Dia, fui finalista do prêmio Embratel, em
setembro de 2002, com a matéria sobre traficantes que deixaram o mundo do
crime em busca do sonho de se tornarem craques. Ganhei o Prêmio Abril de
reportagens pela Placar em 89, com uma série especial de retrospectivas.
A da Globo foi importante pela repercussão e pessoalmente por ter evitado
que outras mulheres passassem pelo desconforto de sofrer assédio do médico.
Serviu como alerta. A matéria dos traficante foi a que me deu mais prazer
porque ajudei um menino a encontrar uma vaga no CFZ, clube de Zico. O
ex-traficante, de 17 anos, nunca mais voltou ao crime e se tornou meu
amigo.
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Fernanda:
Você já correu algum tipo de risco na apuração ou cobertura de alguma matéria?
Martha: Há uns 3 anos, fiquei sobre a mira de traficantes do Jacarezinho quando
fazia uma matéria sobre esporte na favela. Tive de negociar para sair com
vida de lá. Em abril, no Alemão, também fiquei no alvo de bandidos armados
quando fazia a tal matéria da qual concorri ao Prêmio Embratel.
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Fernanda:
Sobre o caso Tim Lopes, você acha que o jornalista deve assumir a função
de investigador, quando necessário?
Martha: Deve assumir a
função de investigador tomando o cuidado para não fazer o
papel de polícia. A gente denuncia, mas não prende e nem faz justiça.
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Fernanda:
Por que ESPORTES?
Martha: Desde criança
adorava esporte. Fiz parte de uma torcida organizada,
quando a coisa era calma, a raça rubro-negra. Aos 12 anos decidi que
seria jornalista esportiva.
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Fernanda: O
que é ser Jornalista?
Martha: Ser jornalista não
é profissão, mas sim um estado da alma. Tem que se
dedicar muito, ser jornalista em tempo integral e entender que também é
uma função social. Não é só informar, mas tentar buscar soluções para
problemas sociais.
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Fernanda:
Como é trabalhar no "O Dia"?
Martha:
O Dia te dá
muita liberdade. Não existe censura e é um jornal isento,
que sempre busca a notícia e trata bem seu leitor.
Particularmente, é a
melhor empresa em que já trabalhei. Visto a camisa do jornal como uso
a do Flamengo.
Aqui rola uma coisa de família.
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Fernanda:
Quais as maiores dificuldades que os novos jornalistas encontrarão no mercado de
trabalho?
Martha: O jornalista que
está saindo da faculdade vai encontrar o mercado mais
terrível dos últimos tempos. Os jornais estão cada vez mais enxugando e
a internet facilitou a vida da gente, mas também tirou o emprego de muita
gente nas redações. Se não tem repórter para cobrir um evento, é só
'chupar' a notícia da Internet. Portanto, pouquíssimos terão sorte e
encontrarão o seu lugar no mercado. Infelizmente.
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Fernanda: O
que mais gratifica na profissão e o que mais aborrece?
Martha: O que mais
aborrece, no caso do esporte, é lidar com gente de quinta, como os dirigentes
esportivos. Eles mentem, roubam os clubes e
destroem o futebol. Há jogador que também não respeita o jornalista. Já
ouvi coisas do tipo: eu sou rico e famoso e você é recalcada porque
ganha mal. Sem falar que é um meio que produz pouca gente inteligente e
interessante. Coisas boas são muitas: viajar, conhecer gente nova, ter a
oportunidade de fazer matérias sociais, dar esperanças para a garotada
que sonha ser craque etc.
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Fernanda: Qual foi o seu maior furo jornalístico?
Martha: Furo? Dei alguns
(no bom sentido). O mais recente: a ex-mulher de
Romário, Danielle Favatto, confessando que traiu o Baixinho. Fora do
esporte: denunciei um político que vendia votos em Bangu, há 4 anos mais
ou menos, uma empresa de ônibus que só aceitava mulheres esterilizadas.
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Agradecemos
às jornalistas Martha Esteves e Fernanda Teixeira pela entrevista. Será, sem dúvida,
bastante útil aos milhares de jovens que pensam na futura profissão e,
principalmente, àqueles que já nasceram jornalistas. Como bem disse
Martha, "Ser jornalista não é profissão, mas sim um estado da alma".
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