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 Sivan Castelo Neto |
Palco de muitas manifestações
artísticas desde a sua fundação, em 1908, a Associação Brasileira de
Imprensa provou, na noite desta sexta-feira, sua vocação para abrigar
importantes eventos culturais da cidade do Rio de Janeiro. A Casa do
Jornalista abriu o Auditório Oscar Guanabarino para receber uma
entusiasmada platéia — formada por amigos, parentes, fãs, compositores,
cantores e parceiros — que lotou o 9º andar da ABI, para uma homenagem
póstuma a Sivan Castelo Neto, que, se estivesse vivo, faria 103 anos
neste 27 de maio.
Compositor, radialista, empresário
e publicitário — pai do jornalista Berto Filho, locutor do “Fantástico”
e idealizador da festa, e da violonista e compositora Vera Brasil —,
Sivan Castelo Neto foi criador de alguns dos mais importantes
slogans e jingles da história da propaganda brasileira e
foi homenageado por grande parte dos artistas que conviveram com ele e
gravaram alguns dos seu maiores sucessos.
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O show de abertura foi de José
Tobias, 80 anos, que cantou as canções de Sivan "O amor é assim" e "Quando a noite vem":
— Meu primeiro contato com ele foi em 1955, logo que cheguei ao Rio,
vindo de Pernambuco — contou. — Gravei muitas composições dele e tive
o privilégio de conviver com uma pessoa extraordinária. Um amigo como
o Sivan a gente nunca esquece.
Tito Madi, um dos pioneiros da Bossa Nova, lembrou que a primeira vez
que ouviu falar de Sivan Castelo Neto foi quando ainda morava em São
Paulo. Gravou dele a música “Não diga não”, mas só teve o prazer de
estar com o compositor pessoalmente no Rio de Janeiro:
— Por causa de “Não diga não”, estive no estúdio do Sivan aqui no Rio
de Janeiro. Mas recentemente tive a oportunidade de participar de um
disco com as composições dele, produzido pelo Berto Filho e o Hugo
Marota e lançado no Rio e em São Paulo. Guardo dele uma saudade muito
grande. |
 José Tobias |
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 Carlos José e Luiz Vieira |
Outro grande amigo, o cantor
Carlos José, falou do “enorme prazer e alegria de estar na platéia da
ABI para assistir ao show”. Luiz Vieira, que atualmente comanda um
programa na Rádio Carioca, lembrou que conheceu Sivan quando estava
iniciando sua carreira:
— Ele já era o pioneiro do jingle e eu estava no começo. Era
um grande artista e o tipo de ser humano que a gente nunca esquece.
Quando Berto Filho me apresentou essa idéia de homenageá-lo com um
evento como esse, achei sensacional. Tomara um dia um filho meu
dizer, dessa maneira, que sente amor pelo pai assim como está fazendo
o Berto Filho com o Sivan, uma pessoa extraordinária, de um talento
primoroso. Merecia um lugar de destaque, porque ajudou a construir a
identidade da verdadeira música brasileira.
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Pelo que se viu na platéia, dá para
medir a importância de Sivan Castelo Neto para a música popular
brasileira. Estavam presentes Vanja Orico, Pratinha — filho de Grande
Otelo —, o empresário Arthur Sendas, o compositor Zé Di, do Salgueiro,
Artur da Távola, os cantores Orlan Divo e Pery Ribeiro e Milton Campos —
um dos pioneiros da televisão no País —, entre muitos outros.
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Ellen de Lima disse que estava
difícil se conter “de tanta alegria por poder reverenciar uma pessoa
tão talentosa e tão importante para o cenário musical brasileiro”.
Adelaide Chiozzo, por sua vez, falou da importância do evento na ABI:
— Eu gravei dele “Trenzinho do amor”. O Sivan nos deu muita alegria com
as suas composições. Acho bom que esta homenagem esteja acontecendo,
porque o artista morre e acaba sendo esquecido.
Esta era a principal preocupação de Berto Filho quando pensou em fazer
um espetáculo em homenagem a seu pai. O jornalista diz que o evento
seria uma forma digna de apresentar a obra de Sivan Castelo Neto para
aqueles que não o conheceram e, ao mesmo tempo, recordar seus sucessos
com os que, como ele, tiveram o privilégio de conviver com o talentoso
radialista e compositor. |
 Adelaide Chiozzo e Ellen de Lima |
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 Ney Murce e Berto Filho |
Antes do início do show, Berto Filho
dizia que já estava realizado por causa da presença maciça dos amigos e
que ia “tentar ficar calmo”. Na hora da apresentação do espetáculo,
emocionado e com a voz embargada, agradeceu a presença de todos e falou
do significado do ato de homenagem ao pai:
— A partir desse momento, estou conseguindo trazer o Sivan para a mídia
nacional. Muita gente fala dele, mas eu precisava mostrar que ele era
real. Não é fácil. Se eu fosse filho do Caymmi ou do Tom Jobim, a coisa
seria diferente. Acontece que as músicas do Sivan, por serem antigas,
não tocam mais no rádio, mas eu desejo fazer com que essas canções
sejam aprendidas e introduzidas no repertório dos novos artistas. É um
processo histórico que começa neste momento.
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Berto Filho pediu à platéia que se sentisse em casa, e ela respondeu aos apelos
do jornalista aplaudindo entusiasmadamente cada um dos cantores que se
apresentaram no palco e mesmo as personalidades ausentes que eram citadas como
pessoas importantes que fizeram parte da vida de Sivan Castelo Neto. Ao
Presidente da ABI, Berto Filho fez um agradecimento especial:
— O Maurício
Azêdo era o Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro quando meu pai foi
agraciado com a Medalha Pedro Ernesto. Hoje, abrindo as portas da ABI para esta
homenagem, ele está fazendo uma extensão da generosa iniciativa que teve em
1985, nos abrigando nessa Casa da ética e da verdade, baluarte histórico da
resistência democrática e testemunha da obra de Sivan.
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Jadir
Zanardi, Pery Ribeiro e Yara Ramos |
Nota do editor: Sivan Castelo Neto -
cujo nome verdadeiro era Ulysses Lelot Filho - nasceu em Campinas (SP)
em 27/05/1904.
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