Edição de 25-mai-2007

 

Sivan Castelo Neto homenageado na ABI

Evento marcou o 103° aniversário de seu nascimento




Sivan Castelo Neto

Palco de muitas manifestações artísticas desde a sua fundação, em 1908, a Associação Brasileira de Imprensa provou, na noite desta sexta-feira, sua vocação para abrigar importantes eventos culturais da cidade do Rio de Janeiro. A Casa do Jornalista abriu o Auditório Oscar Guanabarino para receber uma entusiasmada platéia — formada por amigos, parentes, fãs, compositores, cantores e parceiros — que lotou o 9º andar da ABI, para uma homenagem póstuma a Sivan Castelo Neto, que, se estivesse vivo, faria 103 anos neste 27 de maio.

Compositor, radialista, empresário e publicitário — pai do jornalista Berto Filho, locutor do “Fantástico” e idealizador da festa, e da violonista e compositora Vera Brasil —, Sivan Castelo Neto foi criador de alguns dos mais importantes slogans e jingles da história da propaganda brasileira e foi homenageado por grande parte dos artistas que conviveram com ele e gravaram alguns dos seu maiores sucessos.

 

O show de abertura foi de José Tobias, 80 anos, que cantou as canções de Sivan "O amor é assim" e "Quando a noite vem":

— Meu primeiro contato com ele foi em 1955, logo que cheguei ao Rio, vindo de Pernambuco — contou. — Gravei muitas composições dele e tive o privilégio de conviver com uma pessoa extraordinária. Um amigo como o Sivan a gente nunca esquece.

Tito Madi, um dos pioneiros da Bossa Nova, lembrou que a primeira vez que ouviu falar de Sivan Castelo Neto foi quando ainda morava em São Paulo. Gravou dele a música “Não diga não”, mas só teve o prazer de estar com o compositor pessoalmente no Rio de Janeiro:
— Por causa de “Não diga não”, estive no estúdio do Sivan aqui no Rio de Janeiro. Mas recentemente tive a oportunidade de participar de um disco com as composições dele, produzido pelo Berto Filho e o Hugo Marota e lançado no Rio e em São Paulo. Guardo dele uma saudade muito grande.


José Tobias


Carlos José e Luiz Vieira

Outro grande amigo, o cantor Carlos José, falou do “enorme prazer e alegria de estar na platéia da ABI para assistir ao show”. Luiz Vieira, que atualmente comanda um programa na Rádio Carioca, lembrou que conheceu Sivan quando estava iniciando sua carreira:

— Ele já era o pioneiro do jingle e eu estava no começo. Era um grande artista e o tipo de ser humano que a gente nunca esquece. Quando Berto Filho me apresentou essa idéia de homenageá-lo com um evento como esse, achei sensacional. Tomara um dia um filho meu dizer, dessa maneira, que sente amor pelo pai assim como está fazendo o Berto Filho com o Sivan, uma pessoa extraordinária, de um talento primoroso. Merecia um lugar de destaque, porque ajudou a construir a identidade da verdadeira música brasileira.

Pelo que se viu na platéia, dá para medir a importância de Sivan Castelo Neto para a música popular brasileira. Estavam presentes Vanja Orico, Pratinha — filho de Grande Otelo —, o empresário Arthur Sendas, o compositor Zé Di, do Salgueiro, Artur da Távola, os cantores Orlan Divo e Pery Ribeiro e Milton Campos — um dos pioneiros da televisão no País —, entre muitos outros.

Ellen de Lima disse que estava difícil se conter “de tanta alegria por poder reverenciar uma pessoa tão talentosa e tão importante para o cenário musical brasileiro”. Adelaide Chiozzo, por sua vez, falou da importância do evento na ABI:

— Eu gravei dele “Trenzinho do amor”. O Sivan nos deu muita alegria com as suas composições. Acho bom que esta homenagem esteja acontecendo, porque o artista morre e acaba sendo esquecido.

Esta era a principal preocupação de Berto Filho quando pensou em fazer um espetáculo em homenagem a seu pai. O jornalista diz que o evento seria uma forma digna de apresentar a obra de Sivan Castelo Neto para aqueles que não o conheceram e, ao mesmo tempo, recordar seus sucessos com os que, como ele, tiveram o privilégio de conviver com o talentoso radialista e compositor.


Adelaide Chiozzo e Ellen de Lima


Ney Murce e Berto Filho

Antes do início do show, Berto Filho dizia que já estava realizado por causa da presença maciça dos amigos e que ia “tentar ficar calmo”. Na hora da apresentação do espetáculo, emocionado e com a voz embargada, agradeceu a presença de todos e falou do significado do ato de homenagem ao pai:

— A partir desse momento, estou conseguindo trazer o Sivan para a mídia nacional. Muita gente fala dele, mas eu precisava mostrar que ele era real. Não é fácil. Se eu fosse filho do Caymmi ou do Tom Jobim, a coisa seria diferente. Acontece que as músicas do Sivan, por serem antigas, não tocam mais no rádio, mas eu desejo fazer com que essas canções sejam aprendidas e introduzidas no repertório dos novos artistas. É um processo histórico que começa neste momento.

Berto Filho pediu à platéia que se sentisse em casa, e ela respondeu aos apelos do jornalista aplaudindo entusiasmadamente cada um dos cantores que se apresentaram no palco e mesmo as personalidades ausentes que eram citadas como pessoas importantes que fizeram parte da vida de Sivan Castelo Neto. Ao Presidente da ABI, Berto Filho fez um agradecimento especial:

— O Maurício Azêdo era o Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro quando meu pai foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto. Hoje, abrindo as portas da ABI para esta homenagem, ele está fazendo uma extensão da generosa iniciativa que teve em 1985, nos abrigando nessa Casa da ética e da verdade, baluarte histórico da resistência democrática e testemunha da obra de Sivan.

 

Jadir Zanardi, Pery Ribeiro e Yara Ramos

Nota do editor: Sivan Castelo Neto - cujo nome verdadeiro era Ulysses Lelot Filho - nasceu em Campinas (SP)  em 27/05/1904. Saiba mais...


Volta ao início desta página Página inicial do ALMA CARIOCA Retorna à página anterior

21-fev-2008