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RUY CASTRO é reconhecidamente um dos melhores biógrafos que este país já teve. Biógrafo de fato, não um superficial construtor de vidas encomendadas, um enaltecedor dos seus pares, ou um fã disfarçado de contador de vidas, que se derrete em elogios pelos biografados para agradar leitores. Infelizmente, deste tipo de biógrafo o cenário editorial brasileiro está cheio.
Ruy é um pesquisador, na mais legítima acepção do termo, para metodologia científica ou ambiência acadêmica nenhuma botar defeito.
Da persistência, da abundância de suor, do rigor, da seriedade de Ruy têm nascido obras-primas da biografia nacional, como o “Anjo Pornográfico”, sobre Nelson Rodrigues e “Estrela Solitária”, a contundente, desmistificadora e tristemente lírica biografia sobre Mané Garrincha.
Mas esse mineiro mais carioca que a maioria dos cariocas (veio bebezinho para o Rio) também é um mestre ao falar da história da música popular brasileira. Está aí há muito tempo o clássico “Chega de Saudade”, que não me deixa mentir. Duvido que alguém, desde que esse livro foi lançado até um futuro distante, consiga conhecer a bossa nova sem passar por esse e por outros escritos do Ruy.
Agora, Ruy resolveu enfrentar outro desafio, envolvendo outro mito. Acaba de lançar “Carmen”, a biografia da “Pequena Notável”, Carmen Miranda.
Ainda não li, mas já sei o que vou encontrar: pesquisa minuciosa; honestidade na escolha, diversidade e fidelidade às fontes, escritas e orais; e, além disso tudo, correção, leveza, humor, cadência – tudo o que transforma a abordagem de um texto no tal “prazer da leitura”, que a gente tem encontrado cada vez menos entre nossos escritores, embora se publique cada vez mais.
Ontem, tive o grande prazer de receber meu precioso exemplar autografado de “Carmen” das mãos de Ruy. O lançamento foi no Copacabana Palace. Escolha mais feliz não poderia haver, já que aquele ambiente ainda recende ao perfume das estrelas holywoodianas que por lá estiveram no passado, e ainda parece adequado ao charme dos antigos galãs. E cor, perfume, charme, ritmo, brasilidade, estravagâncias de Hollywood, baianidade estilizada – tudo isso é a própria Carmen Miranda.
Porém o prestígio merecido de Ruy garantiu a presença de muita gente importante, bonita e famosa de hoje. Lá estavam, só para citar alguns, Carlos Lyra, Danusa Leão e Sônia Braga.
Sou carioca, e pouca coisa me orgulha tanto quanto isso. Mas, num vôo de imaginação, eu gostaria de ser agora o Zé Carioca, para dançar com a “Pequena Notável”, em homenagem ao notável pesquisador, biógrafo e escritor que é Ruy Castro.
Os balangandãs de “Carmen”, tenho a certeza, vão sacudir com muito sucesso, como o Ruy merece.
Na fotografia, J. Carino, de chapéu, ao lado de Ruy Castro, no lançamento.
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