Edição de 07-out-2004

 

SARGENTO BARROS, UM "PM" COM ALMA CARIOCA

Paulo A. Teixeira

Josemir de Barros Correa, 43 anos, é considerado um grande companheiro pelos moradores do Leblon. Os acenos e cumprimentos são obrigatórios por quem passa a pé ou de carro pela avenida Afrânio de Mello Franco, uma das mais movimentadas do bairro, esquina com Ataulfo de Paiva. O Sargento Barros, como é conhecido, está há 18 anos na polícia, tendo sempre trabalhado na zona sul da cidade.

Casado com D. Helenice, tem um filho de 9 anos, Renan. Mora em Santa Cruz. Barros gostaria de ficar na PM até se aposentar e disse sentir muita satisfação com o seu trabalho. Embora já tenha trocado tiros com bandidos, garantiu nunca ter matado ninguém e afirmou, orgulhoso, que já perdeu a conta dos amigos que fez.

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Perguntado se aplicava muitas multas, já que aquela era uma das esquinas mais movimentadas do bairro, Sargento Barros explicou que só multa em último caso.

Procuro entender se a infração foi causada por distração ou se foi intencional. Certa vez um motorista distraído avançou o sinal. Ao me ver, levou a mão à testa e disse "— Puxa, Barros, me desculpe. Poderia fazer isso com qualquer um, menos com você." Desta vez foi perdoado. Gostaria de ser visto como um amigo, não como um policial repressor. E acho que é assim que todos me vêem.

 

A esquina onde Barros trabalha concentra o tráfego que vem da Lagoa e aquele que se dirige para a Barra da Tijuca, Botafogo, Copacabana e Túnel Rebouças. Há três bancos nas proximidades, além dos pontos finais de algumas linhas de ônibus oriundas dos subúrbios. Há poucos dias o trecho da praia que fica em frente à Av. Afrânio de Mello Franco foi alvo do noticiário internacional, por causa do arrastão que vitimou uma família de turistas uruguaios. A 14ª Delegacia Policial e a Delegacia de Atendimento ao Turista ficam nesta mesma avenida.

 

O Alma Carioca deseja que o exemplo do Sargento Barros se espalhe, não somente pelos seus colegas da Polícia Militar, mas por todos nós, que estamos desaprendendo as regras básicas de convivência. Afinal, somos todos irmãos, mesmo que, quase sempre, nos esqueçamos disso. Está aí o Sargento Barros para nos lembrar.

 



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30-jun-2007