AS CAMÉLIAS DO LEBLON
E A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

UMA HISTÓRIA QUE POUCOS CONHECEM

Pouco depois de assinar a lei que extinguia a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel recebeu do imigrante português José de Seixas Magalhães um belíssimo buquê de camélias. Não era um gesto gratuito. O presente foi considerado por políticos e comentaristas da época como um bem simbolicamente mais valioso do que a caneta de ouro, brilhantes e rubis com que a lei foi assinada.

Seixas era o chefe de um quilombo especializado no cultivo daquele tipo de flor - o quilombo do Leblon, uma comunidade de escravos fugidos que existia às portas do poder público e possuía lideranças bem articuladas politicamente. O quilombo foi determinante para o êxito da campanha abolicionista no país e instituiu a camélia como símbolo antiescravista por excelência. Muitos ostentavam a flor na lapela ou a cultivavam no jardim de suas casas como forma de protesto.

É desse fio que se vale Eduardo Silva para contar a história secreta do movimento abolicionista no Brasil. Neste relato revelador, em que Rui Barbosa, José do Patrocínio e outras figuras centrais da disputa dividem espaço com anônimos não menos importantes, o autor investiga as ligações extra-oficiais entre a articulação política empreendida pela elite e o movimento social negro, num esforço para reconfigurar a composição de poder na capital do Império e demonstrar o papel decisivo exercido pelos escravos na conquista da abolição.

Eduardo Silva nasceu no Rio de Janeiro em 1948. Doutorou-se em história na University College London, na Inglaterra. Ex-chefe do Setor de História da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. 

Alma Carioca forneceu a foto da capa


A foto da lagoa Rodrigo de Freitas, onde também aparece o Leblon,  é uma das que compõem o nosso acervo. A editora agradeceu ao ALMA CARIOCA pela fotografia. Ficamos felizes por contribuir de alguma forma nesta obra histórica.



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